MOSTRA DE TRABALHOS 2006
Na cidade de São Paulo, um bairro.
Nesse bairro uma constante transformação,
uma escola a nossa escola.

Sua identidade é revelada na diversidade dos desejos, dos quereres, desses seres que aqui convivem, vivendo suas expectativas, suas esperanças, dos que sentem suas frustações, sem sentirem-se derrubados por elas, dos que vivem suas faltas, as mesmas que impulsionam qualquer caminhada.

A busca é constante, a descoberta do melhor canteiro para ser instalado num jardim, a preparação da melhor terra para serem plantadas as sementes que podem dar um colorido especial ao canteiro florido e fortalecido pela fé, pelo querer, pela crença do constante caminhar.

Das chácaras ao nosso jardim especial, das chácaras ao nossos canteiros especiais nos quais, como jardineiros, depositamos nossas sementes do conhecimento, da informação, da boa vontade, do respeito, da crença no valor do ser humano, com responsabilidade e confiaça na germinação que há de acontecer

A nossa identidade como escola qual é? Como podemos descrevê-la?Eis um convite para que seja compreendida e identificada no que tem de mais especial, suas gentes, seus trabalhos, seus empenhos, o resultado de diversos e diferentes personagens deste grande livro de histórias, a Nossa Senhora das Graças.
Maria Stella Scavazza

Álbum de fotos

Matéria do site Aprendiz

 

... e depois, notícias de uma viagem bem planejada

e, então, desembarquei num imenso jardim, cheio de sons, de ruídos e de cores. E surge a pergunta: “Preservar para quê? Para quem? É possível conciliar desenvolvimento e preservação?” Como está o meu país e suas gentes? Num emaranhado de fios e formas, entro e saio de cavernas bem forjadas pela natureza e leio sonoros e sensíveis poemas que me levam por diferentes espaços de tempo e situações nesse grande cenário de estudo do jardim.
Muitas questões foram surgindo e as possibilidades de respostas/soluções, anunciadas.
De repente, entro num outro circuito do tempo e começo a refletir sobre as oportunidades e a falta de oportunidades. Quem sou eu? E constato que os registros das diferentes pessoas e suas percepções, buscam também denunciar para encontrar as possibilidades de mudanças.
Chamam-me a atenção os inúmeros caminhos que o ser humano percorre no seu vir-a-ser, no seu transformar-se. Entro em contato com realidades distintas, aprendo que sozinho a minha construção é difícil e assim como cada pedaço de uma trama pode construir um tapete, começo a perceber a importância da solidariedade, da partilha, da construção de um grupo. Assim também como entro em contato com as mais diferentes culturas presentes numa mesma cidade, espaço compartilhado, disputado e tantas vezes aviltado pelos moradores nem sempre conscientes da riqueza individual e da força do coletivo.
Jogo. Jogo com palavras, com raciocínio, buscando saídas de labirintos, aprendo sobre estratégias mais adequadas na busca de solução das dificuldades do cotidiano.
Viajo para o litoral em busca das raízes do descobrimento de um país, desenvolvendo um outro e distinto olhar, seja o do pesquisador, seja o daquele que vê a beleza e faz a crítica com a intenção de preservar, de melhorar, de construir. Transformo o conteúdo das informações coletadas e das observações realizadas em revistas eletrônicas, em notícias de jornais, chamando a atenção para a preservação e ações a serem desencadeadas nesse sentido.
Nessa trajetória de aprendizagem e reflexão, aprendo a reconhecer a força dos Ecossistemas presentes no país, e aprendo sobre os recursos necessários na pesquisa para conhecer a realidade e de instrumentos na organização das ações necessárias.
Nessa viagem, entro em contato comigo mesmo, meus desejos, meus olhares, um olhar pra dentro de mim, para o meu interior. “O que é sagrado para mim?” Vivencio uma experiência em local bastante distinto do meu cotidiano e sou estimulada a fazer uma reflexão sobre essa trajetória vivida, meus sentimentos, sensações e consigo discernir e aprender mais sobre meus valores, o que é sagrado para mim, para minha vida.
Ao final dessa viagem do conhecimento, tenho condição de rever os registros dos momentos vividos, momentos esses nem só alegres, nem só tristes e doloridos, mas vividos com intensidade, que puderam acrescentar e contribuíram para o fortalecimento do caráter e desenvolvimento da personalidade e do meu projeto de vida. Esse processo não se interrompe, é um processo de vida, de vir-a-ser cotidianamente.
Aprendiz que sou como um canteiro que dá bons frutos e flores multicoloridas, de terra forte e bem adubada. Tive a oportunidade de receber sementes especialmente colocadas por jardineiros cientes do cuidado, atenção e sensibilidade necessárias no plantio das mais diferentes espécies.


Maria Stella Scavazza
Outubro/2006

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