| Projeto
Cultural Escola faz inclusão cultural de funcionários
São cerca de 8 horas da manhã e o frio do inverno incomoda um pouco.
Vinte funcionários, bem agasalhados, do colégio paulistano Nossa Senhora
das Graças estão com quatro professores e mais dois alunos no marco
zero da maior cidade da América do Sul. A turma, composta por inspetores,
auxiliares de serviços gerais, bibliotecárias, entre outros profissionais,
faz parte do projeto Inclusão cultural, que nasceu do Grupo Inovação,
um projeto da escola que busca pensar a instituição a
longo prazo, verificando mudanças e propondo soluções. Uma dessas soluções foi a de oferecer aos funcionários atividades culturais
às quais eles têm pouco acesso. "Muitos saem de casa, vão para
o trabalho e depois voltam para casa. Por que então não oferecer as
mesmas atividades culturais que nossos alunos realizam?", perguntou-se
a coordenadora do projeto, Analice Ignácio, secretária da escola. Desde
então, já foram distribuídos pares de ingressos para sessões de cinema
e peças de teatro, por exemplo. O primeiro passeio promovido para os funcionários ao centro de São
Paulo, atividade realizada com certa freqüência pelos alunos, nasceu
da constatação de que poucos conhecem locais relevantes da história
e da cultura da cidade. "É importante trazer as pessoas para conhecer,
fazendo com que elas sintam que fazem parte de tudo isso", explica
a professora de história, Denise Pereira. Depois de uma olhada geral pela Praça da Sé, o grupo visitou a catedral.
A professora Antonieta Villela, de Artes,
explicou a arquitetura gótica presente no templo, e, com a colaboração
do professor de história, Plínio Negreiros, contou um pouco da história
da utilização das igrejas, que, na Idade Média, serviam como cemitério
para eclesiásticos e nobres. A admiração e a curiosidade do grupo era
clara. "Sempre passo na frente, mas dificilmente entro e
aproveito dessa maneira", contou a bibliotecária Adriana Machado,
que ainda salientou que poucas empresas promovem este tipo de atividade.
Após a saída da catedral, uma curta caminhada levou o grupo até a antiga
residência de D. Maria Domitília de Castro
Canto e Melo, a Marquesa de Santos, suposta amante do imperador D.
Pedro I. Lá, fotos preto e branco de São Paulo do início do século XX
chamaram a atenção. "Naquela época já tinha enchente", comentavam
todos que viam uma imagem de um alagamento de 1943. Um quarteirão adiante era possível observar o colégio jesuíta, conhecido
como Pátio do Colégio, local onde a cidade foi fundada em 1554 e no
qual, atualmente, funciona um museu. Com o auxílio de monitoras, o grupo
pôde aprender um pouco mais da história e entender o porque
das enchentes que atingem a cidade. Visualizando, em uma maquete, a
geografia da área central de São Paulo, foi possível perceber a área
de brejo criado pelas cheias do rio Tamanduateí. Com um clima um pouco mais agradável, que dispensava os casacos e moletons,
um percurso um pouco mais longo levou o grupo até o edifício Altino
Arantes, conhecido como prédio do Banespa. Nele, de 10 em 10 pessoas,
todos subiram os 36 andares de elevador e mais três lances de escada,
até a torre que possibilita uma vista de 360º da cidade. "Ali é
a Radial Leste. Ali a avenida Paulista. Ali o Pico do Jaraguá", divertiram-se
todos, localizando pontos de referência de São Paulo. Por fim, a rua São Bento levou todos para
o mosteiro de mesmo nome. "Para cá eu nunca tinha vindo",
contou o servente Lourival Silva, que trabalha há
24 anos no colégio e já havia percorrido parte do centro acompanhando
as excursões dos alunos. "É impressionante como a gente passa na
frente e não sabe o que alguns lugares têm", explicou com os olhos
atentos para todos os detalhes. O passeio terminou às 13 horas. Todos entraram no ônibus com faces
que misturavam desgaste físico e muita satisfação. As anotações das
impressões e observações dos funcionários serão lidas pelos professores
e alguma proposta de trabalho será sugerida. "O importante é criar
uma política de inclusão cultural", lembraram os professores ao
explicarem que as atividades ainda são esporádicas, mas que o importante
é que elas já começaram. |